De mulher pra mulher:

(aposto que completou a música aí na sua cabeça: Marisa…)

Que sua maturidade chegue devagarinho, com leveza, MAS QUE CHEGUE!
E que, quando você não acreditar mais em nada, alguém te prove o contrário E RESGATE SUA FÉ!

Desejo que sua alegria ainda esteja com você
Que você continue rindo das piadas infames
Dançando as músicas mais bregas
E cantando “Evidências” num karaokê, qualquer,
Sem nenhum medo do que os outros vão pensar

Porque é assim que a gente exercita a nossa coragem.

Desejo que você encontre alguém
Não porque é impossível ser feliz sozinha, pois não é
Mas porque você merece ser amada
E eu desejo que seja por alguém que tenha certeza que você é a mulher mais incrível do mundo
Por alguém que te faça rir
Por alguém que ande com você de mãos dadas
E que te beije como se fosse sempre a primeira vez

Desejo que você encontre paz nesse beijo
Realização no seu trabalho
E amor na cama (Sim, isso existe.)

Desejo que você se sinta segura num colo
Que adormeça com cafuné
E que a sua vida ganhe aquele ar de câmera lenta
Que faz seu coração querer que tudo permaneça exatamente como está
Desejo que você volte acreditar que o “pra sempre” pode até ser viável

E que cante Cazuza por aí: “Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida…”

Desejo, acima disso tudo, que você descubra a mulher incrível que você é.
E que tenha coragem de ser essa MULHER
Com toda intensidade
E com toda a ternura que já tentaram, de tantas formas, roubar de você

Desejo, por fim, que você tenha consciência de que é digna e merecedora
E que saiba dizer não a tudo que te mostrar que você diferente disso

(P.S.: Essa imagem foi um desenho que ganhei do Gabriel, num 8 de março qualquer… quando ele tinha uns 12 anos.)

Fique FORTE!

Fique forte.
Mesmo quando seu corpo inteiro tremer por não querer enfrentar a realidade.
Mesmo quando a cama parecer tão melhor do que a vida lá fora.
Mesmo quando tudo o que você acreditava se desfizer no vento.

Fique forte.
Mesmo quando seus pensamentos forem tão obscuros que te dão ânsia de vômito.
Mesmo quando uma ligação, o som da campainha, o aviso de um e-mail na sua caixa de entrada ou uma simples conta chegando pelo correio baixarem sua pressão a ponto de você quase desmaiar.

Fique forte.
Quando você olhar em volta e achar que não pode mais confiar em ninguém.
Quando se sentir idiota, ingênuo, trouxa, burro.
Quando estiver desconfiando até da sua própria sombra.

Fique forte.
Quando você perder a fome.
Quando perder o sono.
Quando a vida inteira parecer ter perdido a graça.

Fique forte.
Quando o que você construiu, tijolo por tijolo, desmoronar bem na sua frente e ainda separe, dos escombros, algumas peças de demolição para decorar sua nova construção.

Fique forte.
E entre em contato de verdade com as coisas.
Suba na balança.
Faça exames de sangue.
Olhe, todos os dias, sua conta bancária.
Abra todas as cartas.
Receba o oficial de justiça que bate na sua porta.
Olhe as pessoas nos olhos.
Faça seguro.
Se previna.
Ouça até o fim e encare as más notícias.
Enfrente. EM FRENTE!

Se nós colhemos o que plantamos, não podemos mais jogar sementes que “parecem” boas em nossa terra. 
Pesquise, espere, observe e plante. 
Com calma.
Nem que para isso seja preciso parar de plantar e passar um período apenas cuidando do terreno.
Isso não é procrastinar. 
Isso é amadurecer.

Ser forte quando está tudo bem é fácil.
Ficar feliz quando algo dá certo é óbvio.

Ser forte é encarar a vida como ela se apresenta agora.
E a vida sabe ser bem difícil as vezes.

Ser forte é ter consciência e saber que um belo dia, a gente olha pra trás e nem parece que doeu tanto.
O tempo faz passar.
Mas que saibamos deixar passar.
Que saibamos fazer o aprendizado ficar.

Fique forte.
A dor um dia, vira poesia!

Offline

Quarta-feira passada (28/11/19) foi meu aniversário.

No mesmo dia em que começaria um curso que eu resolvi fazer onde me comprometi a desligar o computador e o celular… que só seriam ligados no mesmo horário do domingo seguinte.
.
Também já imaginava que ficaria boa parte do tempo em silêncio…
Silêncio é aquela coisa que quem me conhece um pouco sabe como sou falante, aberta e entusiasmada com a vida e as pessoas e  por isso já pode imaginar o quanto isso poderia ser bem complicado pra mim.
Não foi.

Passei por 4 fases bem distintas, divertidas e repletas de reflexões e aprendizado que eu vou te contar agora:

Primeira fase: PUTA MERDA!

O mundo vai acabar.
Ele estava completamente nas minhas mãos e agora não poderei fazer mais nada.
Pessoas importantes morrerão… e nem no enterro poderei ir…
Fofocas incríveis acontecerão nos grupos do WhatsApp e eu ficarei sem saber de nenhuma delas…
E claro que, a partir de agora, as fofocas serão todas sobre mim.
Meus amigos não sentirão nenhuma falta de mim, na verdade nem lembrarão que eu existi um dia.
Eles, inclusive, irão planejar a viagem mais legal do mundo… Sem mim.
A viagem que eu sempre sugeri, mas que sempre foi difícil juntar todo mundo eles farão.
Todos, menos eu que estava offline.
Quando eu acessar a internet de novo, se eu sobreviver, verei as fotos maravilhosas da viagem deles e só lembrar a cada uma que eu também deveria estar alí.
Não sentirão falta nenhuma das minhas piadas.
Não terá nenhuma mensagem deles.
Eu perderei as oportunidades profissionais mais incríveis do planeta por causa disso.
Meus clientes terão desistido de mim. Claro! Para sempre.
Meu filho vai precisar da mãe como nunca antes precisou, nem mesmo quando era recém nascido precisou tanto, e eu estarei inacessível porque sou a pior mãe do mundo.
Minha conta no banco explodirá.
Minha casa também.
Meus cães cairão na piscina, morrerão afogados e eu nem ficarei sabendo para ao menos chorar um pouco.
Pessoas importantes farão aniversário e eu não poderei cumprimentá-los.
Obviamente elas deixarão de me amar por causa disso.
Eu faço aniversário justo hoje e pela primeira vez não vou ler, curtir e muito menos responder as mensagens que receber das pessoas queridas.
Também não atenderei ligações das pessoas mais próximas.
Claro que elas ficarão bem magoadas por causa disso e nunca mais falarão comigo.
Óbvio que será o suficiente para que ninguém mais lembre de me chamar para nada de legal que farão de agora em diante e nunca mais me darão parabéns no dia 28/11, afinal, eu estava offline.

Quando eu ligar o celular de novo, o mundo como eu o conhecia até meter o dedo naquele botão vermelho do “desligar” obviamente não existirá mais.
Por isso ele é vermelho.
Pra gente prestar atenção.
Que nossa vida depende do celular ligado.
Podemos morrer de stress, mas precisamos responder todas os e-mails, todos os inBoxes, todos as mensagens do WhatsApp, precisamos ver todos os posts de cada uma das centenas ou milhares de pessoas que acompanhamos na vida online.
Mas antes de morrer, não esqueça, grave um Story…

A segunda: E se…

Quantas mensagens não visualizadas será que tem até agora?
E se não tiver nenhuma e eu for realmente tão insignificante?
Nossa… será?
Será que alguém já morreu?
Ai, tomara que não…
E se…
E se…
E se…
E… se…
E…

E se…

E…

A terceira: Ohmmmm….

Cri cri…

Cri cri…

Cri cri…

Cri cri…

A quarta: Desliga fora, liga dentro!

Olha só!!!
Tem um espaço aqui dentro que eu nem tinha me dado conta…
E é tão bonito.

Há imagens, cores, músicas, paisagens, viagens.
Há pessoas… uma referência que eu mesma construí de cada uma delas.
Há Planos…
Coisas não resolvidas.
Coisas importantes para resolver.
Coisas para deixar pra lá.
Coisas para esquecer.
Muitas…

Coisas para abrir mão…
Crenças velhas, empoeiradas, antigas, que não me servem mais.
Decepções, frustrações, tombos…
Coisas para separar
A dor do aprendizado.
A amizade do interesse.
A gratidão e o desapego.
O tempo que foi e o que virá do presente.

Coisas para escolher e manter
Novas crenças felizes, prósperas e libertadoras.

Sonhos.
Muitos.
Bem mais do que eu imaginava.

Há fé.
Dores do passado para libertar.
Há felicidade para guardar em potinhos coloridos com uma etiqueta de poesia.

Há um tipo mais iluminado e tranquilo de felicidade.
Coisas debaixo do tapete da alma.
E há luz.

Há silêncio.
E quantas surpresas boas há no silêncio.
Há a certeza que silenciar o lado de fora te permite ouvir a voz que vem de dentro.
E quando você dá mais um passo e consegue silenciar dentro terá a oportunidade de ouvir um pouco mais profundamente o que está mais para dentro ainda.
Tão lá no fundo que você achou que era um mergulho impossível, de tão profundo.
E é lá que você tem, finalmente, a chance de descobrir mais sobre você, suas prioridades, seu propósito, a vida que quer desenhar.
A música que quer compor.
O livro que tem pronto para escrever.

Dentro de nós tem um espaço intocado e perfeito onde encontramos autoconhecimento, autoestima, autenticidade, magia e beleza.
Há espaço para tudo mais que eu quiser colocar nessa história chamada de SUA VIDA.
É lá que mora o que as religiões deram o nome de Deus.
Há espaço para respirar e existir.
Isso basta, acredite.

A quinta: 1, 2, 3 e já!

Vamos apertar esse botaozinho verde aqui ligar e…
Olha!!! Um mooooonnnnnnteeeeee de e-mails e mensagens não lidas!!!
Apaga esse… responde aquele… esse aqui vai pro spam… mais um pro lixo… esse é importante… oba! cliente novo… muitas mensagens de aniversário…. viva… mais mensagens… que felicidade em me sentir querida… audios divertidíssimos daqueles amigos mais criativos… imagens fofas… poesias… apaga esse… ah… que lindo esse… nossa, que saudade dessa pessoa.
Ai ai… estou bem feliz com todos os presentes que me esperavam aqui nesse aparelhinho… ai ai… que saco esse monte de pendências para organizar e resolver… Nossa, quanto lixo!!!
Pronto, 3 horas e tudo resolvido…
E o mundo continua exatamente como estava antes.
Ninguém morreu.
Absolutamente nada mudou.
O que precisava de mim me esperou.
Quem decidiu continuar gostando de mim continuou.
E a vida lá fora também continuou.
Exatamente do ponto onde em que tinha parado.
Na verdade a vida nem parou.
Eu parei.
E foi assim que, desligada do mundo inteiro, me liguei no que significa religião:
RE-LIGAÇÃO.

E foi assim que eu, finalmente, descobri o que tem, bem no centro de Deus…
Eu.

A carta DEFINITIVA de Branca Barão:

Uma breve Introdução:
Tenho consciência de que “DEFINITIVO” é uma palavra que não combina para falar das coisas da vida.
Apesar de ser o que eu adoraria que meus amigos e meus amores fossem, eu sei que só posso querer isso enquanto eles também quiserem… e essa condição faz da palavra DEFINITIVO não apropriada para falar deles também.

Mesmo assim, dentro de toda essa minha INTENSIDADE, me permitirei usá-la, com o significado de um querer maior do mundo, aquilo que “hoje eu quero para sempre” e quero muito que seja DEFINITIVO, mas com toda aquela humanidade que me cabe e que me dá o direito de mudar de opinião um dia e vir aqui editar minha carta “DEFINITIVA” que eu sei que nem é tão definitiva assim.

Afinal, espero ainda ter mais uns 44 anos para fazer, desta carta definitiva de verdade.

Funcionará assim:

– Se você gosta de mim hoje, essa carta é pra você.
– Se você já me amou um dia e o que ficou de mim aí em você é bom, essa carta é pra você.
– Se você até pensou em me amar, mas faltou tempo, ou coragem, essa carta é pra você.
– Se você está aqui, por acaso, lendo isso agora, e nem me conhece, deve haver um porquê, então, essa carta é pra você também.

Quando eu morrer…

– Quando eu morrer não quero choro.
Afinal, não seria justo.
Eu é quem deveria estar chorando, por ter me retirado, sem aviso prévio, e precocemente dessa incrível festa, a qual chamamos de VIDA.
Não importa quando isso vai acontecer, morrer é uma sacanagem que sempre acontece precocemente.
E, já que morri, não posso mais chorar.
Então segurem a onda aí… nada de chorar só porque eu morri!

Certeza que se eu pudesse eu choraria pelos chocolates que não poderei mais comer. Principalmente aqueles bem caros, comprados no free shop, com recheio de Jack Daniels ou de Amarulla…

Choraria pelos longos passeios, que não farei mais, com os meus cães.
Pela areia que não vai mais colar no meu corpo quando ventar já que não estarei na praia.
Pelas ondas que não vão mais quebrar, com força, bem geladas no meu corpo já que não entrarei mais no mar.
Pelos novos amigos que não poderei mais fazer.
E pela saudade que sentirei de você.

Choraria pelas viagens que não farei mais.
Pelas músicas que eu não dançarei.
Pelos shows das bandas que eu amo que não mais irei.
Estaria, sem dúvida nenhuma, chorando pelas coisas do mundo que nem descobri existir e que parti daqui sem experimentar.

– Quando eu morrer não quero vela.
Nada que me mande mais para o além do que eu já fui.
Grata.

Ah… me poupem.
Me mantenham por aqui do seu jeito.
Falem de mim.
Contem histórias das quais fiz parte.
Lembrem das coisas que eu adorava.
Das coisas que eu dizia.
Das músicas que eu cantava.
Das piada que eu contava e que eu geralmente estragava os finais.
Dos foras que eu dava.
Das minhas grandes cagadas.
E dos meus sucessos.
Assim, eu cumprirei a minha meta de viver pra sempre.

– Quando eu morrer, música triste será proibida. 

Alguém precisa, urgentemente, se incumbir da playlist do meu velório:
Por favor, caprichem nas músicas anos 80 e 90 que eu adoro!
Aquelas músicas que me mantiveram jovem para sempre e feliz a vida inteira.

Não se esqueçam de “Meu amor, hoje o sol não apareceu…” que vai representar bem esse momento que de triste não tem nada porque esses mesmo sol, que hoje não aparece mais pra mim, apareceu dia após dia, brilhante e quente, em todos os meus demais dias, durante todos esses anos, renovando minha fé sempre que eu pensei em abandoná-la pelo caminho.

Adicionem uma pitada de Cazuza com o meu hino (aposto que essa ele compôs essa pra mim!) Exagerado… é… eu adoro um amor inventado.
E vivi, exageradamente, cada oportunidade que a vida me deu de um amor assim com todos os dramas, todas as lágrimas, todos os beijos de novela desses destinos que foram traçados na maternidade.
E do meu e do seu.

E para finalizar com um leve toque de drama que, no fundo no fundo, eu adoro, podem incluir, por exemplo: “Flor de Lis” do Djavan… e cantem juntos, em coro, aquela parte que me representa tanto: “Eu só sei que amei… que amei… que amei….”
Ah… que lindo que vai ser… já estou chorando aqui, espero que BEM ANTECIPADAMENTE, só de imaginar, você lá, bem velhinho, depois de estacionar numa vaga para idoso, entrar no meu velório com sua bengala pra me homenagear e pra cantar isso pra mim…

E como amei…. PQP!
Sempre como se fosse a primeira e última vez…
Tive a sorte de viver uma vida com mais primeiras e ultimas vezes que a média… Mergulhei fundo e de cabeça em cada novo amor que a vida me presenteou.
E a cada decepção eu jurava, para mim mesma, que isso nunca mais me aconteceria até olhar nos olhos de alguém que me dava a certeza mais que absoluta de que eu não tinha aprendido absolutamente nada.
E quando eu me dava conta, já estava naquele trampolim mais alto das piscinas olímpicas da vida, pronta para me jogar toda exibida, fazendo todas as minhas piruetas.

Também amei cada lugar que fui, cada café que tomei, cada uma das muitas tatuagens que eu fiz (13 até aqui e contando…), as boas conversar que tive, os abraços que não queria que tivessem fim, os papos jogados fora, meus cães, gatos, meu filho, meus mestres, meus grandes amigos, as madrugadas em claro, cada drink, cada música de cada banda e amei, de algum jeito, já que também está lendo isso agora, você.

Amei cada aventura, cada aprendizado e cada porrada que tomei.
Porque hoje eu sei que foram elas que me transformaram no que fui e que me levaram por caminhos tão intensos e tão cheios de significados e aprendizados para eu chegar até aqui, onde eu estava ontem, logo antes de morrer.

Amei o trabalho que fiz cada vez que subi no palco.
Amei cada palavra que disse e que escrevi.
Cada rolha que tirei de cada garrafa de vinho que comemorava alguma bobagem que era, naquele momento, a coisa mais importante da vida pra mim.
Amei cada prato de cada restaurante que fui com alguém importante e que provavelmente me ouviu dizendo: “Puta merda, essa é a melhor coisa que já comi na vida!”
Depois entendi… Não era a comida.
Era o sabor daquele encontro que me fez achar que o prato é que era tão especial.
Não era o prato, era você!

Amei cada segundo que antecederam cada primeiro beijo que dei na vida porque naquele exato momento eu simplesmente sabia, que valia muito a pena estar viva exatamente naquele “aqui e agora”.
Apesar de cada dor, de cada perda, de cada bandaid que precisou ser arrancado de uma vez só.

– Quando eu morrer não quero flores.
Não arranquem algo tão lindo dos jardins da vida para morrerem junto comigo.
Por favor, mantenha as flores vivas, em seus devidos jardins.
Elas são muito mais bonitas quando não são posses.
Assim são também as pessoas.

Não leve flores, mas leve um presente. Não pra mim…
Onde estarei,  não poderei mais receber esses mimos que eu adoro ganhar… as canetinhas, canecas, adesivos e bichos de pelúcia.
Ou qualquer outra bobagem repleta de significado.
Leve um presente que eu adoraria ganhar para trocarem entre vocês.
Alguém assume aí a responsabilidade de fazer uma dinâmica de grupo (que claro que não poderia faltar no meu incrível velório…) e façam um sorteio para descobrirem quem será AMIGO COLORIDO de quem.
Nada a ver com a expressão de amizade colorida que conhecemos….
Claro que se quiserem se pegar entre si, também podem, fiquem à vontade quanto a isso, mas a ideia é que quem era amigo da Branca, se torna amigo Colorido depois da Branca, sacaram? 

Assim muitas novas amizades acontecerão nesse dia especial.
Assim você sentirá menos saudade de mim.
Assim eu corro menos risco de você me esquecer.
Assim você terá mais um motivo para lembrar que um dia, eu existi, com todo o meu barulho e toda a minha bagunça.
Porque fui eu que te dei, com a minha partida, esse novo bom amigo de presente.

– Quando eu morrer não quero caixão, nem meu corpo lá deitado.
Nada de me maquiar e me arrumar…
Já fiz isso muito nesses anos em que tive a oportunidade de celebrar e desfrutar essa vida. Já fiquei linda do meu jeito para cada show, opara cada festa que achei que valia a pena ir. Eu colori minha cara, meu corpo e minha alma quantas vezes eu quis e com quem eu achei que mereceu.
Me enchi de brilho e transbordei toda cor que havia aqui dentro.
Se a vida disse: Basta! Então basta.

Mandem me cremar e arrumem uma caixinha bem linda, colorida, pintada a mão (afinal, tenho amigos e filho artistas pra que?) e me coloquem lá dentro. Assim virarei poeira de estrela.
Coisa que tenho uma “convicçãozinha” de que já somos…
Assim, alguém pode me levar pra viajar e eu posso virar parte de lugares lindos.
Posso ser jardim ou oceano.
Posso ser um pouco de mim em cada canto, como sempre escolhi caminhar pela vida.
Depositem um pouco de mim também no pé da montanha russa mais incrível que encontrarem, uma repleta de loopings assim como foi a minha vida.
Escolham aquela com a decida que der mais gelo na barriga do mundo inteiro.
É isso que quero ser quando morrer, decidi:
Adubo de montanha russa!

Quero festa.
Piadas, docinhos, gente falando alto e gargalhando, por favor.
Quero luzes coloridas, bolhas de sabão.
Quero que você pegue o microfone e suba no palco (óbvio que precisa ter um palco e microfone no meu velório!) e EXERCITE SUA CORAGEM
Fale algo incrível e pela primeira vez, recite uma poesia, relembre uma piada e me mantenha viva nas suas palavras, dance.
Se você sentir um pouquinho do gelo na barriga que sinto cada vez que subo no palco nessa hora, você terá feito a minha vida valer a pena.

À beira dos meus 44 anos me deu uma vontade danada de escrever isso tudo.
Sinto que estou bem no meio.
Disse isso aos 40 também.
Lá, eu achava que 80 era o ideal de longevidade.
Mudei de ideia.
Hoje acho que mereço chegar aos 88.
Afinal, planejo um cruzeiro incrível da terceira idade, aos 80 e poucos, e, sendo assim, não posso morrer antes.
Preciso dançar com todos os velhinhos à bordo.
Seria um puta desperdício.
Vai que Deus tem piedade dos meus compromissos e me deixa aqui mais um pouco…

Não gosto de desperdícios…
Que bom que eu não economizei vida, nem risadas.
Nem histórias (nem as de contar, nem as de viver!)

Não economizei dinheiro. (Ah… como eu tentei…)
Deixei de herança apenas as minhas histórias…
Deixei apenas o quebra-cabeças da vida que montei “para quem interessar possa” (adoro essa expressão…)

Que bom que não economizei coração.
Que não poupei emoções.
Senti tudo, de bom e de ruim que descobri que havia para se sentir nessa vida.
Fui, da euforia, à depressão.
De derrotas à abraços.
De orações à amassos.
Com toda intensidade e poesia que sempre permiti que fizessem parte de mim.
Que bom que eu falei cada “Eu te amo” que havia para ser dito.
Que bom que também mandei à merda cada pessoa que eu, por algum motivo, achei que devia dar um pulinho até lá…
Que bom que aprendi a dizer não.
Que bom que disse sim toda vez que meu coração mandou.

Falei todos os palavrões, dei todas as risadas, fiz todas as tatuagens que eu quis.
Afastei de mim cada pessoa que, de alguma forma, puxaram meu freio de mão para que eu deixasse de ser tudo que eu posso ser e me perdoei por cada erro e por cada tropeço.
Perdoei e pedi perdão.
Abracei cada pessoa e senti cada coração que cruzou o meu caminho.
Que bom!

Quando eu morrer quero ir com a certeza de que eu tive amigos bons e leais.
E que desfrutei da plena confiança desses amigos.
Eu só quero a certeza de que eu, apesar de cada tombo que a vida me deu, descobri meu próprio jeito de permanecer em pé.

Quando eu morrer, também quero aplausos…

Algumas coisas que aprendi:

Viver é simples, mas não é fácil.

Os grandes aprendizados estão por aí, em toda parte.
Enquanto nós, muitas vezes os buscamos no topo da montanha mais alta ou num MBA em Massashucets, eles estão saindo, gratuitamente da boca daquela senhora da tapioca no quiosque do parque ou do motorista de um Uber.

Grandes despedidas muitas vezes acontecem sem que a gente ao menos nos dê conta que é uma despedida.
Isso faz de cada encontro, sagrado.

Estar casada é ótimo, mas é um saco.
Estar sozinha é um saco, mas é ótimo!

Viajar é maravilhoso.
Voltar pra casa também.

A felicidade, muitas vezes, mora no contraste de um contraponto.

Ser mãe é a tarefa mais difícil e desafiadora de todas que experimentei até aqui.
Escrever um BestSeller, Palestrar (olha, olha, quem se liberou para usar esse verbo, gente!) para 6 mil pessoas não chegam nem aos pés do que significa, pra mim, criar um filho.

Algumas coisas podem ser economizadas sem desperdiçar vida, outras não.
É muito difícil saber qual é qual e viver de acordo com isso.

Você toma todas as suas decisões baseado numa hierarquia de valores.
Poucos tem alguma ideia de quais valores são esses.
A felicidade, ao meu ver, depende da congruência entre os valores que você tem aí dentro e a vida que vive a vida aqui fora.

Pra entender o que são valores, imagine-se uma geladeira.
Valores seriam as coisas que estão dentro.
Humanos, assim como geladeiras, podem ter coisas deliciosas ou estragadas.
Só encarando olhar do lado de dentro pra saber.

Expectativas são mentiras que criamos tentando ser feliz agora, mesmo sabendo que vamos nos ferrar alí na frente.
Criar expectativas é escolher viver uma mentira.
E mentiras podem ser muito educadas, fofas e confortáveis às vezes.
Aprendi a preferir a verdade, mesmo assim.
Hoje prefiro um NÃO que um NÃO SEI.
Levei 40 anos para aprender a preferir isso.

Pessoas soltam gazes no avião.
Acho uma sacanagem.                                                                                                                         A não ser que estejam dormindo, aí está liberado.
Talvez seja apenas ingenuidade.
A pessoa acredita mesmo que vai conseguir cheirar tudo.
Nunca sabemos a razão pela qual as pessoas fazem as coisas…
E nem porque liberam suas fedorentices.
E olha, que nem estou mais falando de gazes aqui…
Não nos cabe julgar.
Só tapar o nariz mesmo e esperar passar.

Não sei nada sobre o que existe dentro do outro.
Reconhecer isso alimenta a humildade e “desalimenta” o ego.

As coisas mais gostosas de comer engordam e te matam mais rápido.
As coisas saudáveis não tem gosto de nada.
Precisamos aprender a gostar do que nos faz bem.
Isso vale para as comidas, para situações e para as pessoas.

Poucas coisas na vida tem a capacidade de superar aquela sensação mágica que existe nos segundos que antecedem um primeiro beijo.

Enquanto você enxergar relacionamentos como desafios que precisa ganhar, comédias românticas que precisa viver, dramas que precisa superar ou metas que precisa cumprir.
Você será infeliz.

A vida não é coisa de concluir.
A vida é coisa de experimentar.

Experimente:
Cuidar muito bem do seu agora.
Se afastar de gente que pesa.
E aprender a ser feliz com coisinhas…
Essa é a receita!

Tarja Branca

Escrever um Blog!
Essa foi uma das primeiras coisas que fiz descobrindo o maravilhoso mundo da internet há uns bons 15 anos e cá estou eu de novo.
Afinal, a vida é ir e vir.
A minha pelo menos, é.
E eu adoro.
Tipo aquele lance do rio do filósofo famoso lá, sabe?

Você não se molha duas vezes no mesmo rio… ou a água é outra ou você é outro.

E é justamente sobre essas mudanças, a nova água da vida que te molha, você querendo ficar molhado ou não, sobre o que meus olhos vêem de novo nas coisas velhas ou de velho nas coisas novas que vou falar aqui.

Vamos passear por palavras, músicas, filmes, livros, empresas e suas pessoas, expectativas, realidades, sonhos, primeiros beijos, velhas conclusões, novas descobertas, decepções e principalmente pelo que temos para aprender com tudo isso. 

Uma espécie de:
“O que eu faço com isso agora?!”
Mas não da piada, da vida!

Aqui, vou fazendo minhas conclusões temporárias sobre a vida. 

Vou por aí, como costumo fazer, procurando aprender e avançar com cada coisa que acontece. Vai que, cai alguma ficha aí e nesse caso você pode aprender com algum erro meu e dessa forma, não precisa errar o mesmo que eu para aprender. E no caso dos acertos, pode ficar com vontade de experimentar. 

E se eu mudar de opinião?
Simples, faço um novo post.

Acho que esse é o maior aprendizado até aqui:
Saber que o que penso agora é um tipo de mala que arrumei até aqui nessa viagem de viver.
Nada me impede de abrir a mala, doar umas coisas que não me servem mais, jogar outras que percebo que estragaram no lixo e colocar coisas novas no lugar.

Sim, essa mala é todinha composta por ítens perecíveis.
Que bom.
Nós somos perecíveis, porque nossos pensamentos ou sentimentos não deveriam ser tratados assim também?

Já que no rio da vida, muitas vezes a água é a mesma, que nós sejamos outros.
Melhores.

Seja bem-vindo ao Tarja Branca!
Lugar de reconectar ao que verdadeiramente importa, de refletir sobre coisas simples e fazer delas importantes, ressurgir das cinzas, vez ou outra, mas principalmente de reconhecer que a vida tem um lado maravilhoso (que precisamos estar com olhos bem abertos para vê-lo) e um outro que nem sempre é fofo com a gente (e que ainda assim dá pra fazer algo de bom e de útil aí dentro com tudo que nos acontece!)

Tarja Branca, a vida sem receita.
Sem certo, sem errado e sem fórmula mágica ou X passos para coisa nenhuma.
Porque o remédio é ser feliz e pra isso é preciso usar tudo que acontece com a gente para crescer!
Com um passo (o seu próprio passo!) de cada vez.
Com a coragem que a vida pede de olhar para aquela pessoa que vemos quando olhamos no espelho com cuidado, honestidade e muita paciência.

E lá vamos nós…