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Quarta-feira passada (28/11/19) foi meu aniversário.

No mesmo dia em que começaria um curso que eu resolvi fazer onde me comprometi a desligar o computador e o celular… que só seriam ligados no mesmo horário do domingo seguinte.
.
Também já imaginava que ficaria boa parte do tempo em silêncio…
Silêncio é aquela coisa que quem me conhece um pouco sabe como sou falante, aberta e entusiasmada com a vida e as pessoas e  por isso já pode imaginar o quanto isso poderia ser bem complicado pra mim.
Não foi.

Passei por 4 fases bem distintas, divertidas e repletas de reflexões e aprendizado que eu vou te contar agora:

Primeira fase: PUTA MERDA!

O mundo vai acabar.
Ele estava completamente nas minhas mãos e agora não poderei fazer mais nada.
Pessoas importantes morrerão… e nem no enterro poderei ir…
Fofocas incríveis acontecerão nos grupos do WhatsApp e eu ficarei sem saber de nenhuma delas…
E claro que, a partir de agora, as fofocas serão todas sobre mim.
Meus amigos não sentirão nenhuma falta de mim, na verdade nem lembrarão que eu existi um dia.
Eles, inclusive, irão planejar a viagem mais legal do mundo… Sem mim.
A viagem que eu sempre sugeri, mas que sempre foi difícil juntar todo mundo eles farão.
Todos, menos eu que estava offline.
Quando eu acessar a internet de novo, se eu sobreviver, verei as fotos maravilhosas da viagem deles e só lembrar a cada uma que eu também deveria estar alí.
Não sentirão falta nenhuma das minhas piadas.
Não terá nenhuma mensagem deles.
Eu perderei as oportunidades profissionais mais incríveis do planeta por causa disso.
Meus clientes terão desistido de mim. Claro! Para sempre.
Meu filho vai precisar da mãe como nunca antes precisou, nem mesmo quando era recém nascido precisou tanto, e eu estarei inacessível porque sou a pior mãe do mundo.
Minha conta no banco explodirá.
Minha casa também.
Meus cães cairão na piscina, morrerão afogados e eu nem ficarei sabendo para ao menos chorar um pouco.
Pessoas importantes farão aniversário e eu não poderei cumprimentá-los.
Obviamente elas deixarão de me amar por causa disso.
Eu faço aniversário justo hoje e pela primeira vez não vou ler, curtir e muito menos responder as mensagens que receber das pessoas queridas.
Também não atenderei ligações das pessoas mais próximas.
Claro que elas ficarão bem magoadas por causa disso e nunca mais falarão comigo.
Óbvio que será o suficiente para que ninguém mais lembre de me chamar para nada de legal que farão de agora em diante e nunca mais me darão parabéns no dia 28/11, afinal, eu estava offline.

Quando eu ligar o celular de novo, o mundo como eu o conhecia até meter o dedo naquele botão vermelho do “desligar” obviamente não existirá mais.
Por isso ele é vermelho.
Pra gente prestar atenção.
Que nossa vida depende do celular ligado.
Podemos morrer de stress, mas precisamos responder todas os e-mails, todos os inBoxes, todos as mensagens do WhatsApp, precisamos ver todos os posts de cada uma das centenas ou milhares de pessoas que acompanhamos na vida online.
Mas antes de morrer, não esqueça, grave um Story…

A segunda: E se…

Quantas mensagens não visualizadas será que tem até agora?
E se não tiver nenhuma e eu for realmente tão insignificante?
Nossa… será?
Será que alguém já morreu?
Ai, tomara que não…
E se…
E se…
E se…
E… se…
E…

E se…

E…

A terceira: Ohmmmm….

Cri cri…

Cri cri…

Cri cri…

Cri cri…

A quarta: Desliga fora, liga dentro!

Olha só!!!
Tem um espaço aqui dentro que eu nem tinha me dado conta…
E é tão bonito.

Há imagens, cores, músicas, paisagens, viagens.
Há pessoas… uma referência que eu mesma construí de cada uma delas.
Há Planos…
Coisas não resolvidas.
Coisas importantes para resolver.
Coisas para deixar pra lá.
Coisas para esquecer.
Muitas…

Coisas para abrir mão…
Crenças velhas, empoeiradas, antigas, que não me servem mais.
Decepções, frustrações, tombos…
Coisas para separar
A dor do aprendizado.
A amizade do interesse.
A gratidão e o desapego.
O tempo que foi e o que virá do presente.

Coisas para escolher e manter
Novas crenças felizes, prósperas e libertadoras.

Sonhos.
Muitos.
Bem mais do que eu imaginava.

Há fé.
Dores do passado para libertar.
Há felicidade para guardar em potinhos coloridos com uma etiqueta de poesia.

Há um tipo mais iluminado e tranquilo de felicidade.
Coisas debaixo do tapete da alma.
E há luz.

Há silêncio.
E quantas surpresas boas há no silêncio.
Há a certeza que silenciar o lado de fora te permite ouvir a voz que vem de dentro.
E quando você dá mais um passo e consegue silenciar dentro terá a oportunidade de ouvir um pouco mais profundamente o que está mais para dentro ainda.
Tão lá no fundo que você achou que era um mergulho impossível, de tão profundo.
E é lá que você tem, finalmente, a chance de descobrir mais sobre você, suas prioridades, seu propósito, a vida que quer desenhar.
A música que quer compor.
O livro que tem pronto para escrever.

Dentro de nós tem um espaço intocado e perfeito onde encontramos autoconhecimento, autoestima, autenticidade, magia e beleza.
Há espaço para tudo mais que eu quiser colocar nessa história chamada de SUA VIDA.
É lá que mora o que as religiões deram o nome de Deus.
Há espaço para respirar e existir.
Isso basta, acredite.

A quinta: 1, 2, 3 e já!

Vamos apertar esse botaozinho verde aqui ligar e…
Olha!!! Um mooooonnnnnnteeeeee de e-mails e mensagens não lidas!!!
Apaga esse… responde aquele… esse aqui vai pro spam… mais um pro lixo… esse é importante… oba! cliente novo… muitas mensagens de aniversário…. viva… mais mensagens… que felicidade em me sentir querida… audios divertidíssimos daqueles amigos mais criativos… imagens fofas… poesias… apaga esse… ah… que lindo esse… nossa, que saudade dessa pessoa.
Ai ai… estou bem feliz com todos os presentes que me esperavam aqui nesse aparelhinho… ai ai… que saco esse monte de pendências para organizar e resolver… Nossa, quanto lixo!!!
Pronto, 3 horas e tudo resolvido…
E o mundo continua exatamente como estava antes.
Ninguém morreu.
Absolutamente nada mudou.
O que precisava de mim me esperou.
Quem decidiu continuar gostando de mim continuou.
E a vida lá fora também continuou.
Exatamente do ponto onde em que tinha parado.
Na verdade a vida nem parou.
Eu parei.
E foi assim que, desligada do mundo inteiro, me liguei no que significa religião:
RE-LIGAÇÃO.

E foi assim que eu, finalmente, descobri o que tem, bem no centro de Deus…
Eu.

A carta DEFINITIVA de Branca Barão:

Uma breve Introdução:
Tenho consciência de que “DEFINITIVO” é uma palavra que não combina para falar das coisas da vida.
Apesar de ser o que eu adoraria que meus amigos e meus amores fossem, eu sei que só posso querer isso enquanto eles também quiserem… e essa condição faz da palavra DEFINITIVO não apropriada para falar deles também.

Mesmo assim, dentro de toda essa minha INTENSIDADE, me permitirei usá-la, com o significado de um querer maior do mundo, aquilo que “hoje eu quero para sempre” e quero muito que seja DEFINITIVO, mas com toda aquela humanidade que me cabe e que me dá o direito de mudar de opinião um dia e vir aqui editar minha carta “DEFINITIVA” que eu sei que nem é tão definitiva assim.

Afinal, espero ainda ter mais uns 44 anos para fazer, desta carta definitiva de verdade.

Funcionará assim:

– Se você gosta de mim hoje, essa carta é pra você.
– Se você já me amou um dia e o que ficou de mim aí em você é bom, essa carta é pra você.
– Se você até pensou em me amar, mas faltou tempo, ou coragem, essa carta é pra você.
– Se você está aqui, por acaso, lendo isso agora, e nem me conhece, deve haver um porquê, então, essa carta é pra você também.

Quando eu morrer…

– Quando eu morrer não quero choro.
Afinal, não seria justo.
Eu é quem deveria estar chorando, por ter me retirado, sem aviso prévio, e precocemente dessa incrível festa, a qual chamamos de VIDA.
Não importa quando isso vai acontecer, morrer é uma sacanagem que sempre acontece precocemente.
E, já que morri, não posso mais chorar.
Então segurem a onda aí… nada de chorar só porque eu morri!

Certeza que se eu pudesse eu choraria pelos chocolates que não poderei mais comer. Principalmente aqueles bem caros, comprados no free shop, com recheio de Jack Daniels ou de Amarulla…

Choraria pelos longos passeios, que não farei mais, com os meus cães.
Pela areia que não vai mais colar no meu corpo quando ventar já que não estarei na praia.
Pelas ondas que não vão mais quebrar, com força, bem geladas no meu corpo já que não entrarei mais no mar.
Pelos novos amigos que não poderei mais fazer.
E pela saudade que sentirei de você.

Choraria pelas viagens que não farei mais.
Pelas músicas que eu não dançarei.
Pelos shows das bandas que eu amo que não mais irei.
Estaria, sem dúvida nenhuma, chorando pelas coisas do mundo que nem descobri existir e que parti daqui sem experimentar.

– Quando eu morrer não quero vela.
Nada que me mande mais para o além do que eu já fui.
Grata.

Ah… me poupem.
Me mantenham por aqui do seu jeito.
Falem de mim.
Contem histórias das quais fiz parte.
Lembrem das coisas que eu adorava.
Das coisas que eu dizia.
Das músicas que eu cantava.
Das piada que eu contava e que eu geralmente estragava os finais.
Dos foras que eu dava.
Das minhas grandes cagadas.
E dos meus sucessos.
Assim, eu cumprirei a minha meta de viver pra sempre.

– Quando eu morrer, música triste será proibida. 

Alguém precisa, urgentemente, se incumbir da playlist do meu velório:
Por favor, caprichem nas músicas anos 80 e 90 que eu adoro!
Aquelas músicas que me mantiveram jovem para sempre e feliz a vida inteira.

Não se esqueçam de “Meu amor, hoje o sol não apareceu…” que vai representar bem esse momento que de triste não tem nada porque esses mesmo sol, que hoje não aparece mais pra mim, apareceu dia após dia, brilhante e quente, em todos os meus demais dias, durante todos esses anos, renovando minha fé sempre que eu pensei em abandoná-la pelo caminho.

Adicionem uma pitada de Cazuza com o meu hino (aposto que essa ele compôs essa pra mim!) Exagerado… é… eu adoro um amor inventado.
E vivi, exageradamente, cada oportunidade que a vida me deu de um amor assim com todos os dramas, todas as lágrimas, todos os beijos de novela desses destinos que foram traçados na maternidade.
E do meu e do seu.

E para finalizar com um leve toque de drama que, no fundo no fundo, eu adoro, podem incluir, por exemplo: “Flor de Lis” do Djavan… e cantem juntos, em coro, aquela parte que me representa tanto: “Eu só sei que amei… que amei… que amei….”
Ah… que lindo que vai ser… já estou chorando aqui, espero que BEM ANTECIPADAMENTE, só de imaginar, você lá, bem velhinho, depois de estacionar numa vaga para idoso, entrar no meu velório com sua bengala pra me homenagear e pra cantar isso pra mim…

E como amei…. PQP!
Sempre como se fosse a primeira e última vez…
Tive a sorte de viver uma vida com mais primeiras e ultimas vezes que a média… Mergulhei fundo e de cabeça em cada novo amor que a vida me presenteou.
E a cada decepção eu jurava, para mim mesma, que isso nunca mais me aconteceria até olhar nos olhos de alguém que me dava a certeza mais que absoluta de que eu não tinha aprendido absolutamente nada.
E quando eu me dava conta, já estava naquele trampolim mais alto das piscinas olímpicas da vida, pronta para me jogar toda exibida, fazendo todas as minhas piruetas.

Também amei cada lugar que fui, cada café que tomei, cada uma das muitas tatuagens que eu fiz (13 até aqui e contando…), as boas conversar que tive, os abraços que não queria que tivessem fim, os papos jogados fora, meus cães, gatos, meu filho, meus mestres, meus grandes amigos, as madrugadas em claro, cada drink, cada música de cada banda e amei, de algum jeito, já que também está lendo isso agora, você.

Amei cada aventura, cada aprendizado e cada porrada que tomei.
Porque hoje eu sei que foram elas que me transformaram no que fui e que me levaram por caminhos tão intensos e tão cheios de significados e aprendizados para eu chegar até aqui, onde eu estava ontem, logo antes de morrer.

Amei o trabalho que fiz cada vez que subi no palco.
Amei cada palavra que disse e que escrevi.
Cada rolha que tirei de cada garrafa de vinho que comemorava alguma bobagem que era, naquele momento, a coisa mais importante da vida pra mim.
Amei cada prato de cada restaurante que fui com alguém importante e que provavelmente me ouviu dizendo: “Puta merda, essa é a melhor coisa que já comi na vida!”
Depois entendi… Não era a comida.
Era o sabor daquele encontro que me fez achar que o prato é que era tão especial.
Não era o prato, era você!

Amei cada segundo que antecederam cada primeiro beijo que dei na vida porque naquele exato momento eu simplesmente sabia, que valia muito a pena estar viva exatamente naquele “aqui e agora”.
Apesar de cada dor, de cada perda, de cada bandaid que precisou ser arrancado de uma vez só.

– Quando eu morrer não quero flores.
Não arranquem algo tão lindo dos jardins da vida para morrerem junto comigo.
Por favor, mantenha as flores vivas, em seus devidos jardins.
Elas são muito mais bonitas quando não são posses.
Assim são também as pessoas.

Não leve flores, mas leve um presente. Não pra mim…
Onde estarei,  não poderei mais receber esses mimos que eu adoro ganhar… as canetinhas, canecas, adesivos e bichos de pelúcia.
Ou qualquer outra bobagem repleta de significado.
Leve um presente que eu adoraria ganhar para trocarem entre vocês.
Alguém assume aí a responsabilidade de fazer uma dinâmica de grupo (que claro que não poderia faltar no meu incrível velório…) e façam um sorteio para descobrirem quem será AMIGO COLORIDO de quem.
Nada a ver com a expressão de amizade colorida que conhecemos….
Claro que se quiserem se pegar entre si, também podem, fiquem à vontade quanto a isso, mas a ideia é que quem era amigo da Branca, se torna amigo Colorido depois da Branca, sacaram? 

Assim muitas novas amizades acontecerão nesse dia especial.
Assim você sentirá menos saudade de mim.
Assim eu corro menos risco de você me esquecer.
Assim você terá mais um motivo para lembrar que um dia, eu existi, com todo o meu barulho e toda a minha bagunça.
Porque fui eu que te dei, com a minha partida, esse novo bom amigo de presente.

– Quando eu morrer não quero caixão, nem meu corpo lá deitado.
Nada de me maquiar e me arrumar…
Já fiz isso muito nesses anos em que tive a oportunidade de celebrar e desfrutar essa vida. Já fiquei linda do meu jeito para cada show, opara cada festa que achei que valia a pena ir. Eu colori minha cara, meu corpo e minha alma quantas vezes eu quis e com quem eu achei que mereceu.
Me enchi de brilho e transbordei toda cor que havia aqui dentro.
Se a vida disse: Basta! Então basta.

Mandem me cremar e arrumem uma caixinha bem linda, colorida, pintada a mão (afinal, tenho amigos e filho artistas pra que?) e me coloquem lá dentro. Assim virarei poeira de estrela.
Coisa que tenho uma “convicçãozinha” de que já somos…
Assim, alguém pode me levar pra viajar e eu posso virar parte de lugares lindos.
Posso ser jardim ou oceano.
Posso ser um pouco de mim em cada canto, como sempre escolhi caminhar pela vida.
Depositem um pouco de mim também no pé da montanha russa mais incrível que encontrarem, uma repleta de loopings assim como foi a minha vida.
Escolham aquela com a decida que der mais gelo na barriga do mundo inteiro.
É isso que quero ser quando morrer, decidi:
Adubo de montanha russa!

Quero festa.
Piadas, docinhos, gente falando alto e gargalhando, por favor.
Quero luzes coloridas, bolhas de sabão.
Quero que você pegue o microfone e suba no palco (óbvio que precisa ter um palco e microfone no meu velório!) e EXERCITE SUA CORAGEM
Fale algo incrível e pela primeira vez, recite uma poesia, relembre uma piada e me mantenha viva nas suas palavras, dance.
Se você sentir um pouquinho do gelo na barriga que sinto cada vez que subo no palco nessa hora, você terá feito a minha vida valer a pena.

À beira dos meus 44 anos me deu uma vontade danada de escrever isso tudo.
Sinto que estou bem no meio.
Disse isso aos 40 também.
Lá, eu achava que 80 era o ideal de longevidade.
Mudei de ideia.
Hoje acho que mereço chegar aos 88.
Afinal, planejo um cruzeiro incrível da terceira idade, aos 80 e poucos, e, sendo assim, não posso morrer antes.
Preciso dançar com todos os velhinhos à bordo.
Seria um puta desperdício.
Vai que Deus tem piedade dos meus compromissos e me deixa aqui mais um pouco…

Não gosto de desperdícios…
Que bom que eu não economizei vida, nem risadas.
Nem histórias (nem as de contar, nem as de viver!)

Não economizei dinheiro. (Ah… como eu tentei…)
Deixei de herança apenas as minhas histórias…
Deixei apenas o quebra-cabeças da vida que montei “para quem interessar possa” (adoro essa expressão…)

Que bom que não economizei coração.
Que não poupei emoções.
Senti tudo, de bom e de ruim que descobri que havia para se sentir nessa vida.
Fui, da euforia, à depressão.
De derrotas à abraços.
De orações à amassos.
Com toda intensidade e poesia que sempre permiti que fizessem parte de mim.
Que bom que eu falei cada “Eu te amo” que havia para ser dito.
Que bom que também mandei à merda cada pessoa que eu, por algum motivo, achei que devia dar um pulinho até lá…
Que bom que aprendi a dizer não.
Que bom que disse sim toda vez que meu coração mandou.

Falei todos os palavrões, dei todas as risadas, fiz todas as tatuagens que eu quis.
Afastei de mim cada pessoa que, de alguma forma, puxaram meu freio de mão para que eu deixasse de ser tudo que eu posso ser e me perdoei por cada erro e por cada tropeço.
Perdoei e pedi perdão.
Abracei cada pessoa e senti cada coração que cruzou o meu caminho.
Que bom!

Quando eu morrer quero ir com a certeza de que eu tive amigos bons e leais.
E que desfrutei da plena confiança desses amigos.
Eu só quero a certeza de que eu, apesar de cada tombo que a vida me deu, descobri meu próprio jeito de permanecer em pé.

Quando eu morrer, também quero aplausos…

Branca, a Atinderista…

É mais fácil eu acreditar em fadas, duendes, abduções alienígenas e candidatos à Presidência da República que no Tinder.

Explico:

Nosso cérebro é um criador de expectativas safado.
E o Tinder é massinha de modelar expectativas.
Logo, fica meio óbvio que vai dar merda!

Funciona assim, você cria um ser Humano na sua cabeça.
Crie com calma, tem que ser um ser humano bem especial, contendo tudo aquilo que você sempre sonhou, imaginou e esperou de um companheiro.

Seu cérebro sabe bem que você pode viajar na maionese e criar um semi-Deus, alguém que é a imagem da perfeição de tudo de bom que você juntou até aqui, com uma pitada de cada comédia romântica que assistiu, e que te fez suspirar, na vida. 

Se iluda muito… fique à vontade.

Crie um homem com a segurança, maturidade e a paciência do “Muito bem acompanhada”, com a aceitação, charme e cavalheirismo do “Uma linda Mulher”, coloque aquele toque feminista, autêntico e independente dos nossos tempos de “Casa comigo”, sem deixar de lado as histórias inesquecíveis de “Simplesmente amor”… Ah… e que tenha a pegada de “Sexo sem compromisso” e a durabilidade e romantismo do “P.S. Eu te amo!” e com aquele arremate final de “Felizes para Sempre” que só o Walt Disney pode dar em uma grande, verdadeira e eterna história de amor.
Pronto?
Fez?

Esse humano é, no meu caso, inteligente, irreverente, muito bem humorado, otimista, corajoso e aventureiro. Tem pouco mais de 1,80m e com um sorriso escancarado.
Ele é do “Vamos? Vamos!!! e por causa disso viajaríamos o mundo inteiro.
Gosta de andar de moto na estrada, de mergulhar, de longas caminhadas regadas a boas conversas sobre a vida, de ver o por do sol na praia.
E nós faríamos tudo isso juntos, muitas vezes. 

É alguém que não resiste a um cinema com pipoca em pleno dia de semana à noite, que não liga de ter o filme interrompido por beijos apaixonados e que topa ir comigo, num feriado qualquer, para o aeroporto com uma mala pronto para comprar uma passagem para o próximo voo que tiver disponível.
Sem importar pra onde.
Para descobrir lá o que há para conhecer, para curtir e para comer.

É alguém tão honesto, que vê no autoconhecimento e na sua própria humildade a única chance de viver uma vida mais íntegra, mais grandiosa, mais profunda, leve e feliz.

Esse alguém é transparente e me ajuda a crescer do seu lado.
Não faz D.R.`s porque em cada possibilidade de discussão ele é alguém que sabe rir da situação e transformar o motivo em piada.

Fala alto, é meio exagerado, estabanado e sabe ser feliz com bobagens.
Adora comer coisas gostosas, ouvir música alta no carro e não liga para ter o último modelo de carro, de roupa ou do celular.
Sabe que status se mede em realização.
E que sucesso é você saber ser feliz exatamente com o que tem agora.

Ele quer conhecer o mundo ao meu lado.
Ele quer dormir agarrado.
Ele tem fé na vida e acredita nas pessoas mesmo já tendo se decepcionado um bocado.
Ele não está nem aí para signos e nem para a opinião dos outros.
Troca uma discussão por um sorvete.
Troca dinheiro por paz.
Não troca os grandes amigos por nada.

Compra mais livros e jogos do que é capaz de ler ou de jogar.
É alguém bem resolvido, assumido e que está buscando construir, diariamente, sua própria felicidade.
É alguém que não abre mão a sua individualidade e independência e que já descobriu que amor de verdade é aquele que sabe respeitar a liberdade.

Aí, o Tinder te dá várias fotos de seres humanos pra você escolher.
Se aquele rosto encaixa no Ser Humano que você criou, você arrasta para a direita.
Se aquele rosto não combina com aquilo que você construiu aí dentro, é só arrastar para a esquerda.
Se acontecer o mesmo do lado de lá, você tem um “match”.
Com um “match” você tem a possibilidade de conversar com aquela pessoa.
Não com a pessoa que imaginou.
Com uma pessoa real, de verdade, que está lá do outro lado, atrás de um outro celular vivendo a sua vida, no seu próprio processo de aprendizagem e evolução.

Aí seu cérebro precisa começar a fazer um exercício um tanto complexo, mas que tira de letra, que é:

1) Generalizar, evidenciar, valorizar e grifar com uma caneta fluorescente emocional cada ítem que combina com a construção interna que você fez, tão bem feitinha aí…

2) Eliminar, apagar, fingir que não viu, esconder de si mesmo as “bandeiras vermelhas” que aquele ser humano faz tanta questão de te mostrar, sendo muito diferente daquilo que você busca e que você faz questão absoluta de não ver!

3) Distorcer o que dá, para forçar um encaixe: Precisa ser ele. Mas não é… Mas então vamos fingir que é. Ah… não é bem assim que eu esperava, mas calma, né? Ele ainda não me conhece, está inseguro, tem trabalhado demais, está traumatizado com o relacionamento anterior. Mas ele tem que ser aquilo que eu quero que ele seja! E será! A primeira vez é tudo esquisito mesmo, vamos dar uma segunda chance…

E assim você relê as conversar do WhatsApp exercitando essas 3 coisas aí muitas vezes.
E por isso, você não consegue ver o ser humano real que existe alí, escondido naquela criatura disforme que você está, toda entusiasmada,  matando afogado nas suas expectativas.

Até que, pouco a pouco, você vai se dando conta que aquele é um outro ser humano que, assim como você, está transbordando um monte de expectativas, ansiedades, sonhos em cima de você também e assim, sente que de alguma forma está sendo cobrada por isso exatamente como tem feito. Não é assim que o amor acontece. 

O amor acontece na tomada de fôlego de uma gargalhada a dois.
Na intimidade de um beijo que interrompe o filme. ‘

No direito que damos ao outro de ser quem ele realmente é.
Na coragem de sermos nós mesmos na frente da outra pessoa. 

Aí estaremos prontos para a tal longa caminhada regada a conversas profundas sobre a vida. E para o por do sol.

Até lá, é tudo ilusão.
Desse seu cérebro criador de expectativas e romance, que busca no outro, não uma outra pessoa diferente de nós, mas um espelho de quem somos.
Estamos no Tinder procurando a nós mesmos.
E não é lá que iremos encontrar!

É hora de “sair do armário”!

Palestrante.
Tenho um pouco de dificuldade de me auto-intitular assim, confesso…
Ainda não sei se essa palavra me traduz bem.
Apesar de viver viajando pelo Brasil há mais de 15 anos (e pelos EUA há 6) fazendo palestras e falando das coisas que eu acredito, por aí.
Acho meio metido, sabe?
Quando me apresento dou toda uma volta, do tipo: “Sou consultora, trabalho com eventos corporativos e blablablá.” Seria muito mais fácil falar: “Sou Palestrante.”

Mas, não consigo.

Minha mãe não entende bem o que eu faço até hoje.
Ela diz: “Ah… a Branca vive viajando, pra lá e pra cá, fazendo as coisas dela.”

Já meu filho, Gabriel, quando era criança, foi o que melhor traduziu o que faço:
“Minha mãe sobe num palco e fala de coisas importantes da vida para as pessoas que trabalham nas empresas que contratam ela e estão muito ocupadas trabalhando para pensar na vida.!”
É isso mesmo que eu tento fazer cada vez que subo no palco.
Acredito que muitas vezes estamos ocupados demais para viver, então vejo meu papel como alguém que pode ajudar a desligar um pouco o “piloto automático do comportamento” e contribuir para essa tomada de consciência, tão necessária como pré-requisito para assumir o controle.
Controle de si. Não da vida, isso nem existe.

Ainda nem consigo conjugar o verbo:
“Fui Palestrar em tal empresa ou lugar para falar de tal tema…”
Acabo dizendo: Fui dar… uma palestra. Ou, fui dar o cu…rso!
Mesmo sabendo o mini-susto pelo mal entendido que dizer isso assim pode gerar até que eu realmente termine a frase.

Vou superar isso.
Talvez melhorando a compreensão da tradução da palavra Palestrante no MEU DICIONÁRIO.
Afinal, acredito que as palavras tem o significado que a gente dá, então, vou fazer esse exercício aqui:

Ser Palestrante:
É falar das coisas que amo e acredito para 3 tipos de pessoas:
As que querem me ouvir, as que não sabiam que queriam me ouvir até eu começar a falar e as que não querem me ouvir.
É ser uma espécie de personal trainer de ideias. É ensinar pilates para o autoconhecimento, fazer Crossfit com o autodesenvolvimento. É ter um carinho, todo especial, com o prefixo AUTO!
É saber que eu não mudo ninguém, no máximo cutuco o botão da vontade, da coragem e da autoconfiança .
É fazer do avião, sua rotina e saber as instruções de segurança do voo de cor.
É guardar a mesinha, retornar o encosto da poltrona a posição vertical e desligar o celular antes mesmo de ser solicitado.

É perder um pouco do medo do mundo cada vez que saio para uma viagem.
E perder um pouco do “medo de gente” cada vez que subo num palco.
Ter aquele gelo na barriga, digno de uma bela montanha russa, diante de cada nova plateia. É reconhecer o tamanho da responsabilidade que é ter um microfone na mão.

Aprender a dormir bem em cama de hotel, no avião, no aeroporto.
Aprender a ficar bem dormindo 8 horas, 4, 2 ou nenhuma.

É estar aberto e falar com toda gente e assim curtir cada primeiro encontro que acontece pelo caminho e que sabemos, tem muito potencial para ser também o último. É reconhecer o grande mestre que mora em cada uma uma dessas pessoas e aprender com elas.

É saber que toda interação humana muda, de alguma forma, mesmo que só um pouquinho, o estado emocional do outro e se esforçar, conscientemente para que isso aconteça de forma positiva.

É ver a riqueza que a diversidade traz ao mundo, às empresas e às outras pessoas e ter a coragem de gostar do que é diferente de mim e assim estar aberta a me conectar, aprender e mudar. É aprender a ver o belo no esquisito e o esquisito no normal.

É subir no palco sem ter muita certeza de quais histórias irão transbordar de mim dessa vez. E ter fé que serão, justamente, as histórias que aquelas pessoas precisam ouvir para montar seus próprios quebra-cabeças da vida.
É cuidar de cada palavra que sai da sua boca para que nenhuma delas desrespeite, em nenhum momento, as verdades contidas dentro de um outro ser humano. 

É entender que não falo do que sei, mas do que estou buscando e compreender que cada um está vivendo seu próprio processo e que é preciso respeitar a etapa em que o outro está, suas crenças, opiniões e emoções.

É dar o direito ao outro de não gostar de você, mesmo torcendo muito para que goste.É fazer selfie com a galera no final. É ficar feliz quando rola fila e triste quando ninguém te procura para fazer selfies no final.

É cuidar do Ego. 

Algumas vezes com massagem, em outras com calmante.

É reconhecer sua pequenez ao subir no palco e ter a coragem de ser grande ao mesmo tempo. As pessoas esperam isso de você.

Exercitar o dar e receber em cada palavra, em cada olhar, em cada contato.
Transformar um encontro, tecnicamente corporativo, em um papo tão bom quanto se estivéssemos na sala de casa.
É continuar sendo eu mesma, só que com mais volume. 

É, sou a Branca Barão, palestrante.
Prazer.
E esse é meu Blog, Tarja Branca.

O que faço aqui?
Mini-Palestras escritas.