Encaixes…

Tudo que fazemos na vida é buscando um pouquinho mais de felicidade.
Felicidade que mora em nós mesmos, mas é encontrada, geralmente, nos encaixes.

Numa coisa gostosa de comer.
Numa música boa de ouvir.
Numa viagem.
Num filme.
Num livro que de repente você dá de cara com uma frase que, “Nossa! Como encaixa.”

Encaixes também são encontrados em um beijo, num olhar, num carinho, num cheiro, num colo.
Isso faz, muitas vezes, com que passemos a acreditar que a nossa felicidade não está em nós mesmos, mas no outro.

Aí tentamos, a todo custo, aprisionar as palavras, colocar rótulos, alianças, rezas, juras e testemunhas.
Queremos nos tornar alvos exclusivos desse carinhos e donos do tal colo, como se pudéssemos assim, guardar essa felicidade encontrada dentro de uma caixinha e acessá-la sempre que quisermos, com exclusividade.
Não é posse. Não é egoísmo.
É medo. Medo de perder a felicidade construída.

Acontece que a cada dia novo, a cada sonho novo, a cada nova experiência ou descoberta, os encaixes mudam.
E por mais que não queiramos que mudem, não há nada que possamos fazer para impedí-los de mudar.
Em busca de um pouco mais dessa felicidade a qual nos acostumamos e que queríamos que fosse constante e eterna, tentamos, a todo custo, não mudar.

Assim, demoramos para perceber que já mudou.

Quando isso acontece, além de aprisionar o outro, aprisionamos a nós mesmos, exigindo que fiquemos felizes com as mesmas coisas, que não nos bastam mais.
Assim fazemos questão de não enxergar que as peças, simplesmente, também não encaixam mais.

Por mais que o quebra-cabeça montado seja o de uma linda paisagem, sobra uma peça.
De repente, tudo parecia bem, mas você acorda e se dá conta que você é justamente a peça que não se encaixa em lugar nenhum da paisagem que, com tanto trabalho, você mesmo montou.

Você não é uma peça do canto.
Não é parte do céu, do castelo, nem do reflexo do lago.
Terá que ser peça de uma outra paisagem.
Mesmo sabendo que ali ainda faltam tantas peças.
Mesmo tendo passado tanto tempo a procura dessas peças.

E por mais que pareça que tudo está errado, quando você menos esperar, vai se encaixar perfeitamente em um novo lugar.
Mais uma vez.
Aí, vai descobrir que é possível sentir a tal felicidade de novo.
Não mais a mesma.
Uma nova.

Mas já vai saber…
Por mais que você faça toda força do mundo para ficar bem agarrado às peças que parecem se encaixar tão bem dessa vez, também vai passar…

O que aprendi é:
Aumenta o som e deixa a paisagem que o quebra-cabeças da vida forma, mudar.
Esse quebra-cabeça nunca estará pronto.
A vida é um eterno, constante e inquieto montar.

Encontrar esses encaixes é uma questão de sorte.
E de estar atento em volta para distinguir o que realmente encaixa e o que a gente apenas queria muito que encaixasse.

A mudança é a única coisa que vai permanecer.

E o amor?
Ah… são aquelas pecinhas que quando você menos espera se encaixam e formam, como mágica, um por do sol inteiro…

Algumas coisas que aprendi:

Viver é simples, mas não é fácil.

Os grandes aprendizados estão por aí, em toda parte.
Enquanto nós, muitas vezes os buscamos no topo da montanha mais alta ou num MBA em Massashucets, eles estão saindo, gratuitamente da boca daquela senhora da tapioca no quiosque do parque ou do motorista de um Uber.

Grandes despedidas muitas vezes acontecem sem que a gente ao menos nos dê conta que é uma despedida.
Isso faz de cada encontro, sagrado.

Estar casada é ótimo, mas é um saco.
Estar sozinha é um saco, mas é ótimo!

Viajar é maravilhoso.
Voltar pra casa também.

A felicidade, muitas vezes, mora no contraste de um contraponto.

Ser mãe é a tarefa mais difícil e desafiadora de todas que experimentei até aqui.
Escrever um BestSeller, Palestrar (olha, olha, quem se liberou para usar esse verbo, gente!) para 6 mil pessoas não chegam nem aos pés do que significa, pra mim, criar um filho.

Algumas coisas podem ser economizadas sem desperdiçar vida, outras não.
É muito difícil saber qual é qual e viver de acordo com isso.

Você toma todas as suas decisões baseado numa hierarquia de valores.
Poucos tem alguma ideia de quais valores são esses.
A felicidade, ao meu ver, depende da congruência entre os valores que você tem aí dentro e a vida que vive a vida aqui fora.

Pra entender o que são valores, imagine-se uma geladeira.
Valores seriam as coisas que estão dentro.
Humanos, assim como geladeiras, podem ter coisas deliciosas ou estragadas.
Só encarando olhar do lado de dentro pra saber.

Expectativas são mentiras que criamos tentando ser feliz agora, mesmo sabendo que vamos nos ferrar alí na frente.
Criar expectativas é escolher viver uma mentira.
E mentiras podem ser muito educadas, fofas e confortáveis às vezes.
Aprendi a preferir a verdade, mesmo assim.
Hoje prefiro um NÃO que um NÃO SEI.
Levei 40 anos para aprender a preferir isso.

Pessoas soltam gazes no avião.
Acho uma sacanagem.                                                                                                                         A não ser que estejam dormindo, aí está liberado.
Talvez seja apenas ingenuidade.
A pessoa acredita mesmo que vai conseguir cheirar tudo.
Nunca sabemos a razão pela qual as pessoas fazem as coisas…
E nem porque liberam suas fedorentices.
E olha, que nem estou mais falando de gazes aqui…
Não nos cabe julgar.
Só tapar o nariz mesmo e esperar passar.

Não sei nada sobre o que existe dentro do outro.
Reconhecer isso alimenta a humildade e “desalimenta” o ego.

As coisas mais gostosas de comer engordam e te matam mais rápido.
As coisas saudáveis não tem gosto de nada.
Precisamos aprender a gostar do que nos faz bem.
Isso vale para as comidas, para situações e para as pessoas.

Poucas coisas na vida tem a capacidade de superar aquela sensação mágica que existe nos segundos que antecedem um primeiro beijo.

Enquanto você enxergar relacionamentos como desafios que precisa ganhar, comédias românticas que precisa viver, dramas que precisa superar ou metas que precisa cumprir.
Você será infeliz.

A vida não é coisa de concluir.
A vida é coisa de experimentar.

Experimente:
Cuidar muito bem do seu agora.
Se afastar de gente que pesa.
E aprender a ser feliz com coisinhas…
Essa é a receita!

É hora de “sair do armário”!

Palestrante.
Tenho um pouco de dificuldade de me auto-intitular assim, confesso…
Ainda não sei se essa palavra me traduz bem.
Apesar de viver viajando pelo Brasil há mais de 15 anos (e pelos EUA há 6) fazendo palestras e falando das coisas que eu acredito, por aí.
Acho meio metido, sabe?
Quando me apresento dou toda uma volta, do tipo: “Sou consultora, trabalho com eventos corporativos e blablablá.” Seria muito mais fácil falar: “Sou Palestrante.”

Mas, não consigo.

Minha mãe não entende bem o que eu faço até hoje.
Ela diz: “Ah… a Branca vive viajando, pra lá e pra cá, fazendo as coisas dela.”

Já meu filho, Gabriel, quando era criança, foi o que melhor traduziu o que faço:
“Minha mãe sobe num palco e fala de coisas importantes da vida para as pessoas que trabalham nas empresas que contratam ela e estão muito ocupadas trabalhando para pensar na vida.!”
É isso mesmo que eu tento fazer cada vez que subo no palco.
Acredito que muitas vezes estamos ocupados demais para viver, então vejo meu papel como alguém que pode ajudar a desligar um pouco o “piloto automático do comportamento” e contribuir para essa tomada de consciência, tão necessária como pré-requisito para assumir o controle.
Controle de si. Não da vida, isso nem existe.

Ainda nem consigo conjugar o verbo:
“Fui Palestrar em tal empresa ou lugar para falar de tal tema…”
Acabo dizendo: Fui dar… uma palestra. Ou, fui dar o cu…rso!
Mesmo sabendo o mini-susto pelo mal entendido que dizer isso assim pode gerar até que eu realmente termine a frase.

Vou superar isso.
Talvez melhorando a compreensão da tradução da palavra Palestrante no MEU DICIONÁRIO.
Afinal, acredito que as palavras tem o significado que a gente dá, então, vou fazer esse exercício aqui:

Ser Palestrante:
É falar das coisas que amo e acredito para 3 tipos de pessoas:
As que querem me ouvir, as que não sabiam que queriam me ouvir até eu começar a falar e as que não querem me ouvir.
É ser uma espécie de personal trainer de ideias. É ensinar pilates para o autoconhecimento, fazer Crossfit com o autodesenvolvimento. É ter um carinho, todo especial, com o prefixo AUTO!
É saber que eu não mudo ninguém, no máximo cutuco o botão da vontade, da coragem e da autoconfiança .
É fazer do avião, sua rotina e saber as instruções de segurança do voo de cor.
É guardar a mesinha, retornar o encosto da poltrona a posição vertical e desligar o celular antes mesmo de ser solicitado.

É perder um pouco do medo do mundo cada vez que saio para uma viagem.
E perder um pouco do “medo de gente” cada vez que subo num palco.
Ter aquele gelo na barriga, digno de uma bela montanha russa, diante de cada nova plateia. É reconhecer o tamanho da responsabilidade que é ter um microfone na mão.

Aprender a dormir bem em cama de hotel, no avião, no aeroporto.
Aprender a ficar bem dormindo 8 horas, 4, 2 ou nenhuma.

É estar aberto e falar com toda gente e assim curtir cada primeiro encontro que acontece pelo caminho e que sabemos, tem muito potencial para ser também o último. É reconhecer o grande mestre que mora em cada uma uma dessas pessoas e aprender com elas.

É saber que toda interação humana muda, de alguma forma, mesmo que só um pouquinho, o estado emocional do outro e se esforçar, conscientemente para que isso aconteça de forma positiva.

É ver a riqueza que a diversidade traz ao mundo, às empresas e às outras pessoas e ter a coragem de gostar do que é diferente de mim e assim estar aberta a me conectar, aprender e mudar. É aprender a ver o belo no esquisito e o esquisito no normal.

É subir no palco sem ter muita certeza de quais histórias irão transbordar de mim dessa vez. E ter fé que serão, justamente, as histórias que aquelas pessoas precisam ouvir para montar seus próprios quebra-cabeças da vida.
É cuidar de cada palavra que sai da sua boca para que nenhuma delas desrespeite, em nenhum momento, as verdades contidas dentro de um outro ser humano. 

É entender que não falo do que sei, mas do que estou buscando e compreender que cada um está vivendo seu próprio processo e que é preciso respeitar a etapa em que o outro está, suas crenças, opiniões e emoções.

É dar o direito ao outro de não gostar de você, mesmo torcendo muito para que goste.É fazer selfie com a galera no final. É ficar feliz quando rola fila e triste quando ninguém te procura para fazer selfies no final.

É cuidar do Ego. 

Algumas vezes com massagem, em outras com calmante.

É reconhecer sua pequenez ao subir no palco e ter a coragem de ser grande ao mesmo tempo. As pessoas esperam isso de você.

Exercitar o dar e receber em cada palavra, em cada olhar, em cada contato.
Transformar um encontro, tecnicamente corporativo, em um papo tão bom quanto se estivéssemos na sala de casa.
É continuar sendo eu mesma, só que com mais volume. 

É, sou a Branca Barão, palestrante.
Prazer.
E esse é meu Blog, Tarja Branca.

O que faço aqui?
Mini-Palestras escritas.

Tarja Branca

Escrever um Blog!
Essa foi uma das primeiras coisas que fiz descobrindo o maravilhoso mundo da internet há uns bons 15 anos e cá estou eu de novo.
Afinal, a vida é ir e vir.
A minha pelo menos, é.
E eu adoro.
Tipo aquele lance do rio do filósofo famoso lá, sabe?

Você não se molha duas vezes no mesmo rio… ou a água é outra ou você é outro.

E é justamente sobre essas mudanças, a nova água da vida que te molha, você querendo ficar molhado ou não, sobre o que meus olhos vêem de novo nas coisas velhas ou de velho nas coisas novas que vou falar aqui.

Vamos passear por palavras, músicas, filmes, livros, empresas e suas pessoas, expectativas, realidades, sonhos, primeiros beijos, velhas conclusões, novas descobertas, decepções e principalmente pelo que temos para aprender com tudo isso. 

Uma espécie de:
“O que eu faço com isso agora?!”
Mas não da piada, da vida!

Aqui, vou fazendo minhas conclusões temporárias sobre a vida. 

Vou por aí, como costumo fazer, procurando aprender e avançar com cada coisa que acontece. Vai que, cai alguma ficha aí e nesse caso você pode aprender com algum erro meu e dessa forma, não precisa errar o mesmo que eu para aprender. E no caso dos acertos, pode ficar com vontade de experimentar. 

E se eu mudar de opinião?
Simples, faço um novo post.

Acho que esse é o maior aprendizado até aqui:
Saber que o que penso agora é um tipo de mala que arrumei até aqui nessa viagem de viver.
Nada me impede de abrir a mala, doar umas coisas que não me servem mais, jogar outras que percebo que estragaram no lixo e colocar coisas novas no lugar.

Sim, essa mala é todinha composta por ítens perecíveis.
Que bom.
Nós somos perecíveis, porque nossos pensamentos ou sentimentos não deveriam ser tratados assim também?

Já que no rio da vida, muitas vezes a água é a mesma, que nós sejamos outros.
Melhores.

Seja bem-vindo ao Tarja Branca!
Lugar de reconectar ao que verdadeiramente importa, de refletir sobre coisas simples e fazer delas importantes, ressurgir das cinzas, vez ou outra, mas principalmente de reconhecer que a vida tem um lado maravilhoso (que precisamos estar com olhos bem abertos para vê-lo) e um outro que nem sempre é fofo com a gente (e que ainda assim dá pra fazer algo de bom e de útil aí dentro com tudo que nos acontece!)

Tarja Branca, a vida sem receita.
Sem certo, sem errado e sem fórmula mágica ou X passos para coisa nenhuma.
Porque o remédio é ser feliz e pra isso é preciso usar tudo que acontece com a gente para crescer!
Com um passo (o seu próprio passo!) de cada vez.
Com a coragem que a vida pede de olhar para aquela pessoa que vemos quando olhamos no espelho com cuidado, honestidade e muita paciência.

E lá vamos nós…