De mulher pra mulher:

(aposto que completou a música aí na sua cabeça: Marisa…)

Que sua maturidade chegue devagarinho, com leveza, MAS QUE CHEGUE!
E que, quando você não acreditar mais em nada, alguém te prove o contrário E RESGATE SUA FÉ!

Desejo que sua alegria ainda esteja com você
Que você continue rindo das piadas infames
Dançando as músicas mais bregas
E cantando “Evidências” num karaokê, qualquer,
Sem nenhum medo do que os outros vão pensar

Porque é assim que a gente exercita a nossa coragem.

Desejo que você encontre alguém
Não porque é impossível ser feliz sozinha, pois não é
Mas porque você merece ser amada
E eu desejo que seja por alguém que tenha certeza que você é a mulher mais incrível do mundo
Por alguém que te faça rir
Por alguém que ande com você de mãos dadas
E que te beije como se fosse sempre a primeira vez

Desejo que você encontre paz nesse beijo
Realização no seu trabalho
E amor na cama (Sim, isso existe.)

Desejo que você se sinta segura num colo
Que adormeça com cafuné
E que a sua vida ganhe aquele ar de câmera lenta
Que faz seu coração querer que tudo permaneça exatamente como está
Desejo que você volte acreditar que o “pra sempre” pode até ser viável

E que cante Cazuza por aí: “Eu quero a sorte de um amor tranquilo
Com sabor de fruta mordida…”

Desejo, acima disso tudo, que você descubra a mulher incrível que você é.
E que tenha coragem de ser essa MULHER
Com toda intensidade
E com toda a ternura que já tentaram, de tantas formas, roubar de você

Desejo, por fim, que você tenha consciência de que é digna e merecedora
E que saiba dizer não a tudo que te mostrar que você diferente disso

(P.S.: Essa imagem foi um desenho que ganhei do Gabriel, num 8 de março qualquer… quando ele tinha uns 12 anos.)

Branca, a Atinderista…

É mais fácil eu acreditar em fadas, duendes, abduções alienígenas e candidatos à Presidência da República que no Tinder.

Explico:

Nosso cérebro é um criador de expectativas safado.
E o Tinder é massinha de modelar expectativas.
Logo, fica meio óbvio que vai dar merda!

Funciona assim, você cria um ser Humano na sua cabeça.
Crie com calma, tem que ser um ser humano bem especial, contendo tudo aquilo que você sempre sonhou, imaginou e esperou de um companheiro.

Seu cérebro sabe bem que você pode viajar na maionese e criar um semi-Deus, alguém que é a imagem da perfeição de tudo de bom que você juntou até aqui, com uma pitada de cada comédia romântica que assistiu, e que te fez suspirar, na vida. 

Se iluda muito… fique à vontade.

Crie um homem com a segurança, maturidade e a paciência do “Muito bem acompanhada”, com a aceitação, charme e cavalheirismo do “Uma linda Mulher”, coloque aquele toque feminista, autêntico e independente dos nossos tempos de “Casa comigo”, sem deixar de lado as histórias inesquecíveis de “Simplesmente amor”… Ah… e que tenha a pegada de “Sexo sem compromisso” e a durabilidade e romantismo do “P.S. Eu te amo!” e com aquele arremate final de “Felizes para Sempre” que só o Walt Disney pode dar em uma grande, verdadeira e eterna história de amor.
Pronto?
Fez?

Esse humano é, no meu caso, inteligente, irreverente, muito bem humorado, otimista, corajoso e aventureiro. Tem pouco mais de 1,80m e com um sorriso escancarado.
Ele é do “Vamos? Vamos!!! e por causa disso viajaríamos o mundo inteiro.
Gosta de andar de moto na estrada, de mergulhar, de longas caminhadas regadas a boas conversas sobre a vida, de ver o por do sol na praia.
E nós faríamos tudo isso juntos, muitas vezes. 

É alguém que não resiste a um cinema com pipoca em pleno dia de semana à noite, que não liga de ter o filme interrompido por beijos apaixonados e que topa ir comigo, num feriado qualquer, para o aeroporto com uma mala pronto para comprar uma passagem para o próximo voo que tiver disponível.
Sem importar pra onde.
Para descobrir lá o que há para conhecer, para curtir e para comer.

É alguém tão honesto, que vê no autoconhecimento e na sua própria humildade a única chance de viver uma vida mais íntegra, mais grandiosa, mais profunda, leve e feliz.

Esse alguém é transparente e me ajuda a crescer do seu lado.
Não faz D.R.`s porque em cada possibilidade de discussão ele é alguém que sabe rir da situação e transformar o motivo em piada.

Fala alto, é meio exagerado, estabanado e sabe ser feliz com bobagens.
Adora comer coisas gostosas, ouvir música alta no carro e não liga para ter o último modelo de carro, de roupa ou do celular.
Sabe que status se mede em realização.
E que sucesso é você saber ser feliz exatamente com o que tem agora.

Ele quer conhecer o mundo ao meu lado.
Ele quer dormir agarrado.
Ele tem fé na vida e acredita nas pessoas mesmo já tendo se decepcionado um bocado.
Ele não está nem aí para signos e nem para a opinião dos outros.
Troca uma discussão por um sorvete.
Troca dinheiro por paz.
Não troca os grandes amigos por nada.

Compra mais livros e jogos do que é capaz de ler ou de jogar.
É alguém bem resolvido, assumido e que está buscando construir, diariamente, sua própria felicidade.
É alguém que não abre mão a sua individualidade e independência e que já descobriu que amor de verdade é aquele que sabe respeitar a liberdade.

Aí, o Tinder te dá várias fotos de seres humanos pra você escolher.
Se aquele rosto encaixa no Ser Humano que você criou, você arrasta para a direita.
Se aquele rosto não combina com aquilo que você construiu aí dentro, é só arrastar para a esquerda.
Se acontecer o mesmo do lado de lá, você tem um “match”.
Com um “match” você tem a possibilidade de conversar com aquela pessoa.
Não com a pessoa que imaginou.
Com uma pessoa real, de verdade, que está lá do outro lado, atrás de um outro celular vivendo a sua vida, no seu próprio processo de aprendizagem e evolução.

Aí seu cérebro precisa começar a fazer um exercício um tanto complexo, mas que tira de letra, que é:

1) Generalizar, evidenciar, valorizar e grifar com uma caneta fluorescente emocional cada ítem que combina com a construção interna que você fez, tão bem feitinha aí…

2) Eliminar, apagar, fingir que não viu, esconder de si mesmo as “bandeiras vermelhas” que aquele ser humano faz tanta questão de te mostrar, sendo muito diferente daquilo que você busca e que você faz questão absoluta de não ver!

3) Distorcer o que dá, para forçar um encaixe: Precisa ser ele. Mas não é… Mas então vamos fingir que é. Ah… não é bem assim que eu esperava, mas calma, né? Ele ainda não me conhece, está inseguro, tem trabalhado demais, está traumatizado com o relacionamento anterior. Mas ele tem que ser aquilo que eu quero que ele seja! E será! A primeira vez é tudo esquisito mesmo, vamos dar uma segunda chance…

E assim você relê as conversar do WhatsApp exercitando essas 3 coisas aí muitas vezes.
E por isso, você não consegue ver o ser humano real que existe alí, escondido naquela criatura disforme que você está, toda entusiasmada,  matando afogado nas suas expectativas.

Até que, pouco a pouco, você vai se dando conta que aquele é um outro ser humano que, assim como você, está transbordando um monte de expectativas, ansiedades, sonhos em cima de você também e assim, sente que de alguma forma está sendo cobrada por isso exatamente como tem feito. Não é assim que o amor acontece. 

O amor acontece na tomada de fôlego de uma gargalhada a dois.
Na intimidade de um beijo que interrompe o filme. ‘

No direito que damos ao outro de ser quem ele realmente é.
Na coragem de sermos nós mesmos na frente da outra pessoa. 

Aí estaremos prontos para a tal longa caminhada regada a conversas profundas sobre a vida. E para o por do sol.

Até lá, é tudo ilusão.
Desse seu cérebro criador de expectativas e romance, que busca no outro, não uma outra pessoa diferente de nós, mas um espelho de quem somos.
Estamos no Tinder procurando a nós mesmos.
E não é lá que iremos encontrar!

Encaixes…

Tudo que fazemos na vida é buscando um pouquinho mais de felicidade.
Felicidade que mora em nós mesmos, mas é encontrada, geralmente, nos encaixes.

Numa coisa gostosa de comer.
Numa música boa de ouvir.
Numa viagem.
Num filme.
Num livro que de repente você dá de cara com uma frase que, “Nossa! Como encaixa.”

Encaixes também são encontrados em um beijo, num olhar, num carinho, num cheiro, num colo.
Isso faz, muitas vezes, com que passemos a acreditar que a nossa felicidade não está em nós mesmos, mas no outro.

Aí tentamos, a todo custo, aprisionar as palavras, colocar rótulos, alianças, rezas, juras e testemunhas.
Queremos nos tornar alvos exclusivos desse carinhos e donos do tal colo, como se pudéssemos assim, guardar essa felicidade encontrada dentro de uma caixinha e acessá-la sempre que quisermos, com exclusividade.
Não é posse. Não é egoísmo.
É medo. Medo de perder a felicidade construída.

Acontece que a cada dia novo, a cada sonho novo, a cada nova experiência ou descoberta, os encaixes mudam.
E por mais que não queiramos que mudem, não há nada que possamos fazer para impedí-los de mudar.
Em busca de um pouco mais dessa felicidade a qual nos acostumamos e que queríamos que fosse constante e eterna, tentamos, a todo custo, não mudar.

Assim, demoramos para perceber que já mudou.

Quando isso acontece, além de aprisionar o outro, aprisionamos a nós mesmos, exigindo que fiquemos felizes com as mesmas coisas, que não nos bastam mais.
Assim fazemos questão de não enxergar que as peças, simplesmente, também não encaixam mais.

Por mais que o quebra-cabeça montado seja o de uma linda paisagem, sobra uma peça.
De repente, tudo parecia bem, mas você acorda e se dá conta que você é justamente a peça que não se encaixa em lugar nenhum da paisagem que, com tanto trabalho, você mesmo montou.

Você não é uma peça do canto.
Não é parte do céu, do castelo, nem do reflexo do lago.
Terá que ser peça de uma outra paisagem.
Mesmo sabendo que ali ainda faltam tantas peças.
Mesmo tendo passado tanto tempo a procura dessas peças.

E por mais que pareça que tudo está errado, quando você menos esperar, vai se encaixar perfeitamente em um novo lugar.
Mais uma vez.
Aí, vai descobrir que é possível sentir a tal felicidade de novo.
Não mais a mesma.
Uma nova.

Mas já vai saber…
Por mais que você faça toda força do mundo para ficar bem agarrado às peças que parecem se encaixar tão bem dessa vez, também vai passar…

O que aprendi é:
Aumenta o som e deixa a paisagem que o quebra-cabeças da vida forma, mudar.
Esse quebra-cabeça nunca estará pronto.
A vida é um eterno, constante e inquieto montar.

Encontrar esses encaixes é uma questão de sorte.
E de estar atento em volta para distinguir o que realmente encaixa e o que a gente apenas queria muito que encaixasse.

A mudança é a única coisa que vai permanecer.

E o amor?
Ah… são aquelas pecinhas que quando você menos espera se encaixam e formam, como mágica, um por do sol inteiro…

Algumas coisas que aprendi:

Viver é simples, mas não é fácil.

Os grandes aprendizados estão por aí, em toda parte.
Enquanto nós, muitas vezes os buscamos no topo da montanha mais alta ou num MBA em Massashucets, eles estão saindo, gratuitamente da boca daquela senhora da tapioca no quiosque do parque ou do motorista de um Uber.

Grandes despedidas muitas vezes acontecem sem que a gente ao menos nos dê conta que é uma despedida.
Isso faz de cada encontro, sagrado.

Estar casada é ótimo, mas é um saco.
Estar sozinha é um saco, mas é ótimo!

Viajar é maravilhoso.
Voltar pra casa também.

A felicidade, muitas vezes, mora no contraste de um contraponto.

Ser mãe é a tarefa mais difícil e desafiadora de todas que experimentei até aqui.
Escrever um BestSeller, Palestrar (olha, olha, quem se liberou para usar esse verbo, gente!) para 6 mil pessoas não chegam nem aos pés do que significa, pra mim, criar um filho.

Algumas coisas podem ser economizadas sem desperdiçar vida, outras não.
É muito difícil saber qual é qual e viver de acordo com isso.

Você toma todas as suas decisões baseado numa hierarquia de valores.
Poucos tem alguma ideia de quais valores são esses.
A felicidade, ao meu ver, depende da congruência entre os valores que você tem aí dentro e a vida que vive a vida aqui fora.

Pra entender o que são valores, imagine-se uma geladeira.
Valores seriam as coisas que estão dentro.
Humanos, assim como geladeiras, podem ter coisas deliciosas ou estragadas.
Só encarando olhar do lado de dentro pra saber.

Expectativas são mentiras que criamos tentando ser feliz agora, mesmo sabendo que vamos nos ferrar alí na frente.
Criar expectativas é escolher viver uma mentira.
E mentiras podem ser muito educadas, fofas e confortáveis às vezes.
Aprendi a preferir a verdade, mesmo assim.
Hoje prefiro um NÃO que um NÃO SEI.
Levei 40 anos para aprender a preferir isso.

Pessoas soltam gazes no avião.
Acho uma sacanagem.                                                                                                                         A não ser que estejam dormindo, aí está liberado.
Talvez seja apenas ingenuidade.
A pessoa acredita mesmo que vai conseguir cheirar tudo.
Nunca sabemos a razão pela qual as pessoas fazem as coisas…
E nem porque liberam suas fedorentices.
E olha, que nem estou mais falando de gazes aqui…
Não nos cabe julgar.
Só tapar o nariz mesmo e esperar passar.

Não sei nada sobre o que existe dentro do outro.
Reconhecer isso alimenta a humildade e “desalimenta” o ego.

As coisas mais gostosas de comer engordam e te matam mais rápido.
As coisas saudáveis não tem gosto de nada.
Precisamos aprender a gostar do que nos faz bem.
Isso vale para as comidas, para situações e para as pessoas.

Poucas coisas na vida tem a capacidade de superar aquela sensação mágica que existe nos segundos que antecedem um primeiro beijo.

Enquanto você enxergar relacionamentos como desafios que precisa ganhar, comédias românticas que precisa viver, dramas que precisa superar ou metas que precisa cumprir.
Você será infeliz.

A vida não é coisa de concluir.
A vida é coisa de experimentar.

Experimente:
Cuidar muito bem do seu agora.
Se afastar de gente que pesa.
E aprender a ser feliz com coisinhas…
Essa é a receita!