Branca, a Atinderista…

É mais fácil eu acreditar em fadas, duendes, abduções alienígenas e candidatos à Presidência da República que no Tinder.

Explico:

Nosso cérebro é um criador de expectativas safado.
E o Tinder é massinha de modelar expectativas.
Logo, fica meio óbvio que vai dar merda!

Funciona assim, você cria um ser Humano na sua cabeça.
Crie com calma, tem que ser um ser humano bem especial, contendo tudo aquilo que você sempre sonhou, imaginou e esperou de um companheiro.

Seu cérebro sabe bem que você pode viajar na maionese e criar um semi-Deus, alguém que é a imagem da perfeição de tudo de bom que você juntou até aqui, com uma pitada de cada comédia romântica que assistiu, e que te fez suspirar, na vida. 

Se iluda muito… fique à vontade.

Crie um homem com a segurança, maturidade e a paciência do “Muito bem acompanhada”, com a aceitação, charme e cavalheirismo do “Uma linda Mulher”, coloque aquele toque feminista, autêntico e independente dos nossos tempos de “Casa comigo”, sem deixar de lado as histórias inesquecíveis de “Simplesmente amor”… Ah… e que tenha a pegada de “Sexo sem compromisso” e a durabilidade e romantismo do “P.S. Eu te amo!” e com aquele arremate final de “Felizes para Sempre” que só o Walt Disney pode dar em uma grande, verdadeira e eterna história de amor.
Pronto?
Fez?

Esse humano é, no meu caso, inteligente, irreverente, muito bem humorado, otimista, corajoso e aventureiro. Tem pouco mais de 1,80m e com um sorriso escancarado.
Ele é do “Vamos? Vamos!!! e por causa disso viajaríamos o mundo inteiro.
Gosta de andar de moto na estrada, de mergulhar, de longas caminhadas regadas a boas conversas sobre a vida, de ver o por do sol na praia.
E nós faríamos tudo isso juntos, muitas vezes. 

É alguém que não resiste a um cinema com pipoca em pleno dia de semana à noite, que não liga de ter o filme interrompido por beijos apaixonados e que topa ir comigo, num feriado qualquer, para o aeroporto com uma mala pronto para comprar uma passagem para o próximo voo que tiver disponível.
Sem importar pra onde.
Para descobrir lá o que há para conhecer, para curtir e para comer.

É alguém tão honesto, que vê no autoconhecimento e na sua própria humildade a única chance de viver uma vida mais íntegra, mais grandiosa, mais profunda, leve e feliz.

Esse alguém é transparente e me ajuda a crescer do seu lado.
Não faz D.R.`s porque em cada possibilidade de discussão ele é alguém que sabe rir da situação e transformar o motivo em piada.

Fala alto, é meio exagerado, estabanado e sabe ser feliz com bobagens.
Adora comer coisas gostosas, ouvir música alta no carro e não liga para ter o último modelo de carro, de roupa ou do celular.
Sabe que status se mede em realização.
E que sucesso é você saber ser feliz exatamente com o que tem agora.

Ele quer conhecer o mundo ao meu lado.
Ele quer dormir agarrado.
Ele tem fé na vida e acredita nas pessoas mesmo já tendo se decepcionado um bocado.
Ele não está nem aí para signos e nem para a opinião dos outros.
Troca uma discussão por um sorvete.
Troca dinheiro por paz.
Não troca os grandes amigos por nada.

Compra mais livros e jogos do que é capaz de ler ou de jogar.
É alguém bem resolvido, assumido e que está buscando construir, diariamente, sua própria felicidade.
É alguém que não abre mão a sua individualidade e independência e que já descobriu que amor de verdade é aquele que sabe respeitar a liberdade.

Aí, o Tinder te dá várias fotos de seres humanos pra você escolher.
Se aquele rosto encaixa no Ser Humano que você criou, você arrasta para a direita.
Se aquele rosto não combina com aquilo que você construiu aí dentro, é só arrastar para a esquerda.
Se acontecer o mesmo do lado de lá, você tem um “match”.
Com um “match” você tem a possibilidade de conversar com aquela pessoa.
Não com a pessoa que imaginou.
Com uma pessoa real, de verdade, que está lá do outro lado, atrás de um outro celular vivendo a sua vida, no seu próprio processo de aprendizagem e evolução.

Aí seu cérebro precisa começar a fazer um exercício um tanto complexo, mas que tira de letra, que é:

1) Generalizar, evidenciar, valorizar e grifar com uma caneta fluorescente emocional cada ítem que combina com a construção interna que você fez, tão bem feitinha aí…

2) Eliminar, apagar, fingir que não viu, esconder de si mesmo as “bandeiras vermelhas” que aquele ser humano faz tanta questão de te mostrar, sendo muito diferente daquilo que você busca e que você faz questão absoluta de não ver!

3) Distorcer o que dá, para forçar um encaixe: Precisa ser ele. Mas não é… Mas então vamos fingir que é. Ah… não é bem assim que eu esperava, mas calma, né? Ele ainda não me conhece, está inseguro, tem trabalhado demais, está traumatizado com o relacionamento anterior. Mas ele tem que ser aquilo que eu quero que ele seja! E será! A primeira vez é tudo esquisito mesmo, vamos dar uma segunda chance…

E assim você relê as conversar do WhatsApp exercitando essas 3 coisas aí muitas vezes.
E por isso, você não consegue ver o ser humano real que existe alí, escondido naquela criatura disforme que você está, toda entusiasmada,  matando afogado nas suas expectativas.

Até que, pouco a pouco, você vai se dando conta que aquele é um outro ser humano que, assim como você, está transbordando um monte de expectativas, ansiedades, sonhos em cima de você também e assim, sente que de alguma forma está sendo cobrada por isso exatamente como tem feito. Não é assim que o amor acontece. 

O amor acontece na tomada de fôlego de uma gargalhada a dois.
Na intimidade de um beijo que interrompe o filme. ‘

No direito que damos ao outro de ser quem ele realmente é.
Na coragem de sermos nós mesmos na frente da outra pessoa. 

Aí estaremos prontos para a tal longa caminhada regada a conversas profundas sobre a vida. E para o por do sol.

Até lá, é tudo ilusão.
Desse seu cérebro criador de expectativas e romance, que busca no outro, não uma outra pessoa diferente de nós, mas um espelho de quem somos.
Estamos no Tinder procurando a nós mesmos.
E não é lá que iremos encontrar!

Algumas coisas que aprendi:

Viver é simples, mas não é fácil.

Os grandes aprendizados estão por aí, em toda parte.
Enquanto nós, muitas vezes os buscamos no topo da montanha mais alta ou num MBA em Massashucets, eles estão saindo, gratuitamente da boca daquela senhora da tapioca no quiosque do parque ou do motorista de um Uber.

Grandes despedidas muitas vezes acontecem sem que a gente ao menos nos dê conta que é uma despedida.
Isso faz de cada encontro, sagrado.

Estar casada é ótimo, mas é um saco.
Estar sozinha é um saco, mas é ótimo!

Viajar é maravilhoso.
Voltar pra casa também.

A felicidade, muitas vezes, mora no contraste de um contraponto.

Ser mãe é a tarefa mais difícil e desafiadora de todas que experimentei até aqui.
Escrever um BestSeller, Palestrar (olha, olha, quem se liberou para usar esse verbo, gente!) para 6 mil pessoas não chegam nem aos pés do que significa, pra mim, criar um filho.

Algumas coisas podem ser economizadas sem desperdiçar vida, outras não.
É muito difícil saber qual é qual e viver de acordo com isso.

Você toma todas as suas decisões baseado numa hierarquia de valores.
Poucos tem alguma ideia de quais valores são esses.
A felicidade, ao meu ver, depende da congruência entre os valores que você tem aí dentro e a vida que vive a vida aqui fora.

Pra entender o que são valores, imagine-se uma geladeira.
Valores seriam as coisas que estão dentro.
Humanos, assim como geladeiras, podem ter coisas deliciosas ou estragadas.
Só encarando olhar do lado de dentro pra saber.

Expectativas são mentiras que criamos tentando ser feliz agora, mesmo sabendo que vamos nos ferrar alí na frente.
Criar expectativas é escolher viver uma mentira.
E mentiras podem ser muito educadas, fofas e confortáveis às vezes.
Aprendi a preferir a verdade, mesmo assim.
Hoje prefiro um NÃO que um NÃO SEI.
Levei 40 anos para aprender a preferir isso.

Pessoas soltam gazes no avião.
Acho uma sacanagem.                                                                                                                         A não ser que estejam dormindo, aí está liberado.
Talvez seja apenas ingenuidade.
A pessoa acredita mesmo que vai conseguir cheirar tudo.
Nunca sabemos a razão pela qual as pessoas fazem as coisas…
E nem porque liberam suas fedorentices.
E olha, que nem estou mais falando de gazes aqui…
Não nos cabe julgar.
Só tapar o nariz mesmo e esperar passar.

Não sei nada sobre o que existe dentro do outro.
Reconhecer isso alimenta a humildade e “desalimenta” o ego.

As coisas mais gostosas de comer engordam e te matam mais rápido.
As coisas saudáveis não tem gosto de nada.
Precisamos aprender a gostar do que nos faz bem.
Isso vale para as comidas, para situações e para as pessoas.

Poucas coisas na vida tem a capacidade de superar aquela sensação mágica que existe nos segundos que antecedem um primeiro beijo.

Enquanto você enxergar relacionamentos como desafios que precisa ganhar, comédias românticas que precisa viver, dramas que precisa superar ou metas que precisa cumprir.
Você será infeliz.

A vida não é coisa de concluir.
A vida é coisa de experimentar.

Experimente:
Cuidar muito bem do seu agora.
Se afastar de gente que pesa.
E aprender a ser feliz com coisinhas…
Essa é a receita!

Tarja Branca

Escrever um Blog!
Essa foi uma das primeiras coisas que fiz descobrindo o maravilhoso mundo da internet há uns bons 15 anos e cá estou eu de novo.
Afinal, a vida é ir e vir.
A minha pelo menos, é.
E eu adoro.
Tipo aquele lance do rio do filósofo famoso lá, sabe?

Você não se molha duas vezes no mesmo rio… ou a água é outra ou você é outro.

E é justamente sobre essas mudanças, a nova água da vida que te molha, você querendo ficar molhado ou não, sobre o que meus olhos vêem de novo nas coisas velhas ou de velho nas coisas novas que vou falar aqui.

Vamos passear por palavras, músicas, filmes, livros, empresas e suas pessoas, expectativas, realidades, sonhos, primeiros beijos, velhas conclusões, novas descobertas, decepções e principalmente pelo que temos para aprender com tudo isso. 

Uma espécie de:
“O que eu faço com isso agora?!”
Mas não da piada, da vida!

Aqui, vou fazendo minhas conclusões temporárias sobre a vida. 

Vou por aí, como costumo fazer, procurando aprender e avançar com cada coisa que acontece. Vai que, cai alguma ficha aí e nesse caso você pode aprender com algum erro meu e dessa forma, não precisa errar o mesmo que eu para aprender. E no caso dos acertos, pode ficar com vontade de experimentar. 

E se eu mudar de opinião?
Simples, faço um novo post.

Acho que esse é o maior aprendizado até aqui:
Saber que o que penso agora é um tipo de mala que arrumei até aqui nessa viagem de viver.
Nada me impede de abrir a mala, doar umas coisas que não me servem mais, jogar outras que percebo que estragaram no lixo e colocar coisas novas no lugar.

Sim, essa mala é todinha composta por ítens perecíveis.
Que bom.
Nós somos perecíveis, porque nossos pensamentos ou sentimentos não deveriam ser tratados assim também?

Já que no rio da vida, muitas vezes a água é a mesma, que nós sejamos outros.
Melhores.

Seja bem-vindo ao Tarja Branca!
Lugar de reconectar ao que verdadeiramente importa, de refletir sobre coisas simples e fazer delas importantes, ressurgir das cinzas, vez ou outra, mas principalmente de reconhecer que a vida tem um lado maravilhoso (que precisamos estar com olhos bem abertos para vê-lo) e um outro que nem sempre é fofo com a gente (e que ainda assim dá pra fazer algo de bom e de útil aí dentro com tudo que nos acontece!)

Tarja Branca, a vida sem receita.
Sem certo, sem errado e sem fórmula mágica ou X passos para coisa nenhuma.
Porque o remédio é ser feliz e pra isso é preciso usar tudo que acontece com a gente para crescer!
Com um passo (o seu próprio passo!) de cada vez.
Com a coragem que a vida pede de olhar para aquela pessoa que vemos quando olhamos no espelho com cuidado, honestidade e muita paciência.

E lá vamos nós…